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Dr. Emiliano Vialle, Cirurgião de Coluna Vertebral

ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral é composta por 33 vértebras e pode ser dividida em quatro áreas. Sete vértebras cervicais, doze dorsais (ou torácicas), cinco lombares, cinco vértebras unidas que formam o sacro e quatro vértebras unidas que formam o coccix. Entre cada vértebra há uma espécie de “amortecedor” chamado disco intervertebral. Estes discos permitem que uma vértebra se movimente sobre a outra, além de proteger a coluna ao absorver impactos. 

A pelve (ou bacia) está localizada na base da coluna. As cristas ilíacas formam a parte superior da pelve, e são frequentemente utilizadas por cirurgiões como locais de retirada de enxerto ósseo para cirurgia.

No centro da coluna vertebral está o canal vertebral, onde se localiza a medula espinhal. Impulsos nervosos responsáveis por sensação e movimentos passam através desta “rede” de tecido nervoso, que comunica o cérebro a todas as partes do corpo. Uma das funções da coluna vertebral é proteger a medula espinhal.

A coluna vertebral ainda é envolta por músculos, ligamentos e tecido adiposo (gordura), que são então cobertos pela pele.

CIFOSE: é a curvatura posterior da coluna vertebral, que é normal na região torácica. Quando associada a escoliose, esta curvatura pode estar reduzida (dorso plano) ou até invertida, reduzindo a área interna do tórax, onde estão localizados coração e pulmões.

LORDOSE: é a curvatura anterior da coluna vertebral e é normal tanto na coluna cervical quanto na coluna lombar.

O QUE É ESCOLIOSE ?

Escoliose é um desvio tri-dimensional da coluna e dos arcos costais (ou costelas). A deformidade resultante lembra o formato de uma escada em espiral.

A curvatura resultante é, portanto, uma resposta a um movimento torsional de toda a coluna vertebral. Geralmente, diz-se que a coluna adquire a forma de um “S”.

A escoliose também consiste de uma rotação importante das vértebras na convexidade (parte de fora)  da curva. Isto explica, em parte, a formação da giba torácica (proeminência dos arcos costais num lado do tórax) e da giba lombar (pelo deslocamento dos músculos que estão acima das vértebras.

Este problema não está associado, de forma alguma, a problemas posturais ou ao uso de mochilas.

COMO A ESCOLIOSE AFETA SEU CORPO ?

Um ombro é geralmente mais alto que o outro devido à curvatura escoliótica.

Uma das escápulas pode ser mais proeminente que a outra.

Os seios podem parecer assimétricos. Um deles, geralmente o direito, pode não parecer tão desenvolvido quanto o outro, devido à deformidade na região torácica.

A escoliose e a alteração dos arcos costais pode  causar um giba (corcunda) na região dorsal.

A linha da cintura está desviada e é mais aberta na concavidade da escoliose.

Um quadril pode ser mais alto que o outro devido a diferença no comprimento dos

membros inferiores ou deformidade do osso do quadril. Esses problemas, algumas vezes, estão associados a escoliose.

Dor nas costas, apesar de incomum, pode estar presente na escoliose.

TIPOS DE ESCOLIOSE

Existem três tipos principais de escoliose.

1) ESCOLIOSE IDIOPÁTICA

Idiopática significa que a causa exata desta condição é desconhecida. 80% dos pacientes com escoliose sofrem de escoliose idiopática.

2)ESCOLIOSE CONGÊNITA

Este tipo de escoliose é secundário a uma deformidade na vértebra, que está presente ao nascimento e é visível em radiografias.

3)OUTROS TIPOS DE ESCOLIOSE

Escoliose Neuromuscular resulta de uma doença neurológica, muscular ou neuromuscular.

Escoliose Pós-Traumática pode ocorrer após fratura da coluna, secundária à lesão das estruturas ósseas.

PROGRESSÃO NATURAL DA ESCOLIOSE IDIOPÁTICA

Ao nascimento, a coluna vertebral está alinhada.

A deformidade da coluna pode começar logo aos primeiros anos de vida, mas na maioria das vezes não aparece até o início da puberdade (por volta dos 10 anos de idade). A escoliose atinge seu período máximo de deformação entre os 10 e 14 anos de idade, que coincide com o estirão de crescimento da adolescência (período de crescimento rápido que ocorre no início da puberdade).

A escoliose afeta 2 a 4% da população.

Cinco em cada 1000 pessoas têm curvas maiores que 20 graus.

Uma em cada 1000 pessoas tem curva maior que 40 graus.

Entre os adolescentes, a escoliose afeta meninos e meninas na mesma proporção, se levarmos em consideração curvas menores que 10 graus. Entretanto, a medida que a gravidade da escoliose aumenta, a proporção de meninas acometidas em relação a meninos também aumenta.

Se uma menina não teve sua primeira menstruação (ou menarca), existe uma chance de 50% de que a escoliose irá progredir. Se ela já teve a  menarca, a chance de que a escoliose progrida é de 20%.

O início dos ciclos menstruais indica que a jovem já encerrou seu estirão de crescimento e que a fase de deformação rápida da escoliose está no fim. No sexo masculino, este período corresponde à mudança no timbre da voz e ao aparecimento de pelos pubianos. O final do crescimento ocorre entre os 16 e 17 anos nas mulheres e entre os17 e 18 anos nos homens.

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